Educação
Escolar da Pessoa com Surdez – Resumo
Maria de Fátima dos Santos da Silva
No texto A Educação Escolar
de Pessoas com Surdez – Atendimento Educacional Especializado em Construção – a
autora Mirlene Ferreira Macedo Damázio com Josimário de Paulo Ferreira, faz uma
importante reflexão sobre a Educação Escolar da Pessoa com Surdez, mostrando
aspectos relevantes da necessidade de se romper com o embate entre os
gestualistas e os oralistas; valorizando o pensamento pós-moderno para uma
transformação dessa educação, centrada no desenvolvimento da Pessoa com Surdez
e, a partir dos estímulos de diferentes processos (perceptivos, linguísticos e
cognitivos) para o desenvolvimento biopsicossocial, cognitivo e cultural. Onde
o Atendimento Educacional Especializado dá novas possibilidades de aprendizagem
para a Pessoa com Surdez com o ensino de Libras, em Libras e em Língua Portuguesa
– Línguas de comunicação e construção.
Segundo a ideia do texto “enquanto as discussões
ficam centradas na aceitação de uma língua ou de outra, as pessoas com surdez
não têm o seu potencial individual e coletivo desenvolvido, ficam
secundarizadas e descontextualizadas das relações sociais das quais fazem
parte, sendo relegadas a uma condição excludente ou a uma minoria.”
Os autores retratam ainda,
que “uma nova política de Educação Especial na
perspectiva inclusiva, principalmente para pessoas com surdez, tem se tornado
promissora no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais. Porém,
por mais que as políticas estejam já definidas, muitas questões e desafios
ainda estão para ser discutidos, muitas propostas, principalmente no espaço
escolar, precisam ser revistas e algumas tomadas de posição e bases epistemológicas
precisam ficar mais claras, para que, realmente, as práticas de ensino e
aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem caminhos
consistentes e produtivos para a educação de pessoas com surdez.”
Neste contexto de
entendimento a ideia é “interpretar a pessoa com surdez, à luz do pensamento
pós-moderno, como ser humano descentrado, por acreditar no corpo biológico, não
em sua parte com a deficiência, mas nas outras, que dão à pessoa
potencialidade; além de considerar que esse ser não é no todo surdo, mas há uma
parte com surdez, que neurobiologicamente, o limita, mas que, em contrapartida,
o possibilita e potencializa ao desenvolvimento dos processos
neurossensorial-perceptivos.”
Portanto, para os autores “é necessário discutir que, mais do que uma
língua, as pessoas com surdez precisam
de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e exercitem
a capacidade perceptivo-cognitiva.”
Pois “o ambiente em que a pessoa com surdez está
inserida, em especial, o da escola comum, uma vez que não lhe oferece condições
para que se estabeleçam mediações simbólicas com o meio físico e social, não
exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas, consequentemente,
compromete o desenvolvimento do pensamento, da linguagem e da produção de
sentidos.”
Conclui-se então no
pensamento de Damázio e Ferreira que “o fracasso do processo educativo das
pessoas com surdez é um problema da qualidade das práticas pedagógicas e não um
problema somente focado nessa ou naquela língua, ou mesmo numa diferença
cultural, envolvendo outra cultura, uma comunidade com identidades surdas
próprias.” E “em segundo lugar, o foco deve ser a transformação da
escola e das suas práticas pedagógicas excludentes em inclusivas, pois ccompreendemos o
homem como um ser dialógico, transformacional, inconcluso, reflexivo, síntese
de múltiplas determinações num conjunto de relações sociais, com capacidade de
idealizar e de criar.”
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